fonte: Karatê nerd
quinta-feira, 30 de abril de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
HISTÓRIAS DE CASSAB (PARTE 1)
Todas as oportunidades que tive de
estar na presença de Cassab foram de grande importância, um grande karateca e suas histórias
enriqueciam e aumentavam minha paixão pelo Karatê e por minha escola Yobukan
(Águas Claras).
Após a prática incansável com Jonery Sensei as conversas começavam, terminavam, recomeçavam... e assim conhecemos muitas boas histórias!
Compartilho aqui uma destas com vocês...
Deixa eu te contar uma história que se passou em novembro de 2000...
Durante os treinos na YOBUKAN, muitos anos escutando com muita atenção
as histórias do Jonery Sensei sobre seu Grande Mestre Sagara, imaginava como seria
conhecê-lo pessoalmente.
Essa primeira oportunidade viria a ocorrer em novembro de 2000.
Jonery Sensei convidou seus alunos para conhecer o seu Mestre Sagara.
Ele reforçou que seria um privilégio e disse que o convite estava aberto
para todos.
Por incrível que pareça somente dois alunos aceitaram o convite...
Eu (Cassab) e Carlos Pachaly!
Depois de muitas horas em um trânsito feroz (bem a cara de São Paulo!),
chegamos então num pequeno DOJO, nos fundos de uma casa muito simples.
Jonery Sensei conversa com Dona Luiza esposa de Sagara. Ela disse que
ele estava no médico porque seguia muito doente (um ano depois ele viera a
falecer).
Enquanto Jonery conversa com Dona Luiza, eu (Cassab) e Pachaly
aguardamos em um cantinho do DOJO.
Não pudemos deixar de notar que havia um Professor dando aula. Um japonês
pequenininho...
Quando Jonery Sensei voltou, perguntei se conhecia aquele Professor... Ele
afirmou: “Esse é meu amigo Edson Fujinori Nakama”.
Como não seria nessa primeira oportunidade que iríamos conhecer Sagara
Sensei saímos e fomos ajudar o Sensei Mário Ronei no Ginásio de Esporte do
Ibirapuera.
Neste final de semana acontecia também um campeonato Brasileiro de
Karatê de uma “renomada” Confederação Esportiva em São Paulo...
Alguns minutos depois de chegar ao Ginásio de Esportes escutamos o “digníssimo”
Presidente da Confederação dizer no microfone: “Parem a competição! Senhores
juízes, parem as lutas! Gostaria de pedir um minuto de atenção de toda a
plateia...”
(Cassab) Pensei... o que será que houve dessa vez...?
O Presidente voltou para a plateia e continuou a dizer: “Senhoras e
Senhores, temos a presença ILUSTRE do Grande Mestre Edson Fujinori Nakama no
ginásio!”
Pediu que o Sensei Edson se dirigisse ao microfone... Nakama de longe agradeceu,
mas recusou o convite!
Como se a presença dele não fosse notada, subiu toda a arquibancada... Procurando
Jonery Sensei e sentou-se ao lado dele. E ali ficaram os dois, conversando como
bons amigos. Sem chamar atenção!
Grandes mestres como Nakama e Jonery,
deixam essa marca por onde passam: HUMILDADE.
Atitudes como esta nos ensinam que
ser bom não significa ter um alto cargo, ou ter “fama”.
Ter um título, alta graduação, atrair
todos os olhares, estar em evidência, no lugar mais alto do pódio é o que realmente
tem valor? A qualquer custo?
Hoje
sou um homem mais sábio do que ontem. Sou um ser humano, e um ser humano é uma criatura
vulnerável, que possivelmente não pode ser perfeita. Depois da morte, retorna
aos elementos – à terra, à água, ao fogo, ao vento, ao ar. Matéria é vazio. Tudo é vaidade. Somos como folhas de
grama ou como árvores da floresta, criação do universo não tem vida nem morte. A vaidade é o único obstáculo à vida.
(Funakoshi, 1994, p. 41)
sexta-feira, 24 de abril de 2015
terça-feira, 21 de abril de 2015
Reafirmando nossos princípios
Bushido
Budô
Karatê-dô
O que todas essas palavras têm em comum?
São
palavras da cultura Japonesa? Sim, mas o que realmente une todas elas é a
nomenclatura DO – caminho marcial, conduta que todo guerreiro deveria seguir...
É...
o final de semana foi assim... curso com Sensei Edson Fujinori Nakama,
coordenador técnico da ISKF / ASKT e Sensei Hélio Arakaki (Academia Muryokan
Shotokan de Karate/MS), e o sentimento foi de reafirmação dos princípios e da busca
incansável pelo Caminho.
Esse
foi o primeiro passo, de muitos que virão por aí.
Em 9 horas de aula Nakama Sensei juntamente com Arakaki
Sensei proporcionaram aos karatecas presentes ensinamentos, dicas, e correções
de vícios e manias.
O curso teve foco nos três pilares do Karatê-Dô: Kihon,
Kata e Kumite.
Nakama Sensei deixou claro que “é muito fácil formar um atleta lutador, mas... formar karatecas e
seres humanos que fazem Karatê dentro e fora do Dojô é muito, muito mais difícil!!!”
Outro aspecto importante que Nakama Sensei enfatizou é que
o treinamento de Kihon e Kata deve ser imensamente maior do que o treinamento
de Shiai Kumite:
“... um karateca
que não tem o fundamento do Kihon e do Kata, sem a maturidade do Sambom, Ippon
e Jyu kumite, não deve fazer a prática do Shiai – livre”.
Arakaki Sensei destacou que a instituição liderada por
Nakama Sensei é uma verdadeira família, sem fins políticos, que simplesmente
visa preservar a identidade do Karatê Shotokan nos aspectos técnicos e
filosóficos.
Isto ficou muito explícito no que vivenciamos nestes dois
dias de treino intenso!
Foi incrível presenciar o clima de respeito, foco e a
atitude de humildade de tantos faixas pretas em busca do aperfeiçoamento!
Ficamos muito lisonjeados com a receptividade de todos,
especialmente dos Sensei’s Fabio Capusso (RJ), Augusto José Andrade (SP), João
Machado (BA), Marcelo Kanashiro (GO).
Agradecemos imensamente a Omar Sensei (OKA DOJÔ –
Uberlândia/MG), pelo convite!
Que nós, da Academia de Karatê Garras do Tigre, possamos somar
ainda mais com a ISKF – Regional Uberlândia.
José, Bruno, Omar, Bussola
Foto oficial treinamento ISKF 2015 - Uberlândia - MG
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Desabafo!...*
Do Facebook:
*Análise do último evento que participei...
‘Ruim’ (Definição pelo www.dicio.com.br) - (Etm.
do latim: ruinu): Mau ou perverso; que não possui nem expressa sentimentos bons;
que pratica atos de maldade. De péssima qualidade. Prejudicial, que ocasiona
danos, em que há prejuízos. Estragado, que não pode ser consumido, cujo gosto
não é bom. Cujo funcionamento está prejudicado, que não funciona corretamente.
Inadequado, que não alcança os efeitos esperados. Desagradável, que causa uma
sensação de descontentamento, que não é agradável.
‘Tendenciosa’ (Definição
pelo www.dicio.com.br) -
(adj. - Etm. tendência + oso): Que demonstra uma tendência ou objetivo de
prejudicar; em que há segundas intenções. Que tende a ser parcial e
preconceituoso, argumento tendencioso.
‘Regulamento’ (Definição
por www.dicio.com.br)
– (s.m. Ato ou efeito de regular): Estatuto, instrução que prescreve o que se
deve fazer. Conjunto de prescrições que determinam a conduta em qualquer
circunstância. Conjunto de regras para qualquer instituição ou corpo coletivo.
Conjunto de disposições governamentais que contém normas para execução de uma
lei, decreto. Ato de determinar, de regular em geral: regulamento de um
negócio.
As definições acima são apenas
para esclarecer quais os significados de tais palavras, caso alguém que
porventura venha a ler este artigo não compreenda.
Comparado a um paciente
diagnosticado com câncer, na UTI de um hospital omisso, sem médicos preparados
para atendê-lo (tais “médicos” que o são, simplesmente são excluídos e
esquecidos por conta de interesses escusos), e já respirando com a ajuda de
aparelhos. Assim é a arbitragem do Karate Goiano. Me restringirei a abordar
somente este assunto para não “tocar em feridas” mais profundas, como exames,
eventos, estatutos, regras e demais benfeitorias escancaradas. É deprimente a
incompetência técnica. Seria cômico, se não fosse tão agonizante e frustrante.
RUIM E TENDENCIOSA. Se estes adjetivos não forem adequados para exprimir, julgo
que são, no mínimo, generosos.
Antes que alguém venha a
comentar: “você diz isto porque não ganhou nada”. Aqui vai minha resposta.
Estou acima do peso e não treinei o suficiente para obter êxito sobre meus
colegas de tatame. Em primeiro lugar, sou ‘Karateca’. Estou em busca do
caminho. Pratico a filosofia do Karate, em minha arte e em minha vida, e não
apenas como exercício físico ou como “atleta”. É impossível tipificar esta arte
como Karate nos eventos e esquecer os preceitos básicos de Gichin Funakoshi, os
quais se inquirirmos a maioria dos que se dizem karatecas neste estado e nesta
federação, muitos deles não saberiam nos dizer qual é o Dojo Kun!
O Karate tem como base a
filosofia do Budo japonês. Através de muito trabalho e dedicação, ele busca a
formação do caráter de seu praticante e o aprimoramento da sua personalidade.
Cada pessoa pode ter objetivos diferentes ao optar pela prática do Karate, que
devem ser respeitados. Cada um deverá ter a oportunidade de atingir suas metas,
sejam elas tornar-se forte e saudável, obter autoconfiança e equilíbrio
interior ou mesmo dominar técnicas de defesa pessoal. Contudo, não deve o
praticante fugir do real objetivo da arte. Aquele que só pensa em si mesmo, e
quiser dominar técnicas de Karate somente para utilizá-las numa luta, não está
qualificado para aprendê-lo, afinal, o Karate não é somente a aquisição de
certas habilidades defensivas, mas também o domínio da arte de ser um membro da
sociedade bom e honesto. Integridade, humildade e autocontrole. O mais
ultrajante pra mim, é que esta definição não deveria ser novidade para nenhum
karateca!
Longe de mim, em minha reles
insignificância, lograr os méritos daqueles que obtiveram seu lugar ao sol, ou
seja, subiram ao pódio. Pelo contrário, penso que estes que se esforçaram
duramente, treino após treino, anos a fio, e são os grandes protagonistas de
seus triunfos. E mais, isso é o grande incentivador para mim e para as novas
gerações de karatecas, que os vêem e se espelham neles. No entanto, penso que
um regulamento de arbitragem foi escrito, assim como o estatuto de uma
federação, e está em vigor para garantir, sobremaneira, a integridade física de
seus atletas, bem como garantir condições mínimas de competitividade entre
eles. Porém o seu cumprimento não tem sido observado ultimamente, ao menos por
mim não!
Observo que está se tornando um
organismo pessoal, e não estatutário. Com o objetivo de se obter algum tipo de
favorecimento particular. Aliás, tenho uma sugestão. Já que existem prepostos,
façamos da seguinte forma: vamos rasgar o regulamento, evitar os eventos e ver
quem ganha na moeda. É melhor, mais barato e a gente ainda da uma “emoçãozinha”
pra ver de que lado a moeda cai. Sejamos racionais. Organizar o evento,
procurar políticos, angariar patrocínio... Poxa, vai me falar que isso não
“estressa”. De outro lado, os Sensei’s fazem seus alunos treinarem fortemente
antes dos eventos, o próprio karateca se cobra excessivamente, percorrerem
grandes distâncias (que além de caro é desgastante) para assistir a este circo,
formado e endossado por aqueles que deveriam não permitir que isso acontecesse.
Mas fazer o quê? Como cobrar algo de alguém que não sabe o que está fazendo?
Utopia pensar que as competições
de Karate eram, logicamente, para testar a evolução da prática da arte pelas
diferentes escolas que compõe a federação assim como para medir sua eficiência,
mas, sobretudo, para confraternizar, trocar experiência e promover o encontro
dos indivíduos que estão em busca do “caminho”. Pergunto: é isto que se observa
nas competições atualmente? Na verdade, não tem-se fórmula mágica para
solucionar este problema. O primeiro passo é nos voltarmos para a essência do
Karatê-Do. Embutir em todos os nossos praticantes, do mais graduado faixa
preta, ao mais novo faixa branca, como esforçar para formar o caráter, como
criar intuito de esforço, como conter o espírito de agressão. Como isso,
respeitaremos acima de tudo e continuaremos no caminho da razão. E por último,
começar a nos prepararmos, tecnicamente para as competições. E fazer com que
somente este, SEM INTERESSES PARTICULARES, participem das arbitragens nas
competições. Ou seja, nada mais que fazer valer o nosso REGULAMENTO.
É melhor que cada um dê a sua
contribuição, assim como nosso eleitos perante a federação comecem a tratar
este “câncer”, antes que esta doença se alastre e infecte outros membros deste
corpo, pois quando as consequências desta cura forem irreversíveis e
irreparáveis ou este organismo virará um vegetal, ou infelizmente irá falecer.
De um Karateca, Chairo Obi, Aspirante a Kuro Obi, Indignado!
*João Renato
quarta-feira, 15 de abril de 2015
10º Copa Trindade de Karatê Interestios
A
academia de Karatê Garras do Tigre, participou no ultimo dia 12 de Abril de 2015 da 10º Copa Trindade de Karatê Esportivo Interestilos, o evento contou com 250 atletas de
todo o Estado de Goiás.
A Garras do Tigre foi destaque na competição representada com 19 alunos nas mais diversas categorias, os alunos voltaram com um total de 28 medalhas. Sendo elas 9 de Ouro, 2 de Prata e 17 de
Bronze.
Bruno Bussola – Campeão Kata
Adulto Marrom e Preta
Leonardo Soares – Vice Campeão
Kata e Campeão Kumite Adulto Marrom e Preta - +78
Heder Romão – Campeão Kata
e Kumite e Terceiro Lugar Equipe
Cipriano Eduardo – Campeão Kata
e Kumite e Terceiro Lugar Equipe
Alex Almeida – Campeão Kumite
Juliana Almeida – Campeã Kata e
Vice Kumite
Anísio Favoreto – Campeão Kata
e Terceiro Kumite
Iury Santana
Goulart
– Terceiro colocado Kumite Adulto Marrom e Preta - -68
Douglas
Vicentini –
Terceiro colocado Kumite e Equipe
Luiz Bussola – Terceiros Lugares
Kata e Kumite e Equipe
Sebastião
Ribeiro –
Terceiro Lugar Kumite e Equipe
Marco Purcina – Terceiro Lugar
Kumite e Equipe
Vitoria Oliveira – Terceiro Lugar
Kata e Kumite
Daniel Calaça – Terceiro Lugar
Kata
Vinicius Borges – Terceiro Lugar
Kata e Kumite
José Augusto
João Renato
Erick dos Reis
Thiago Borges
A
Academia de Karatê Garras do Tigre agradece a participação de todos os alunos e
pais, e ainda agradece o apoio da Prefeitura Municipal de Ouvidor que disponibilizou o transporte para o alunos, desde já ficamos gratos com o apoio do Prefeito Onofre Galdino e do secretário de esporte Almeida.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Discurso de um Karateca emocionado (falhando a voz e tremendo as mãos!) em homenagem feita ao Shihan Bussola, na Academia Garras do Tigre, no dia 01 de abril de 2015.
Hoje
é um dia muito especial!
Bom...
esse ano é muito especial!!!
32
anos de Karatê!
Quando,
lá no início em 1983, você imaginaria estar aqui com esses futuros guerreiros???
E
não podemos esquecer que esse ano o senhor completa os 20 anos de faixa preta!
Esses
presentes são uma forma de dizer muito obrigado!
Muito
obrigado como pai, como Sensei... opa! Agora Shihan, né...
Alguns
de vocês já me ouviram dizer que minha inspiração foram alguns karatecas da Academia
Águas Claras de Goioerê no Paraná, de onde viemos: Osvalter, Luciano, Rubão...
karatecas que quando eu era criança faziam sucesso nas competições, mas... meu
Karatê é um Karatê Bussola “Samurai Moderno” (sem pretensões de ser um Karatê
Machida... kkkk)!
O
senhor foi meu Sensei em todas as etapas do meu Karatê, me incentivou
juntamente com a minha mãe em todos os campeonatos ganhando ou perdendo (e acreditem
perdi mais que ganhei! E assim ganhei mais do que perdi. Difícil entender?! Mas
foi isso mesmo).
O
senhor soube ser Pai e Sensei, nunca misturando essa relação dentro do Dojô...
Para lembrar, quando o senhor foi Campeão
Paranaense em 2001, a minha mãe não estava sozinha, eu só não conseguia gritar
como ela, e seus alunos Osvalter, Luciano e Rubão estavam sentados na quadra,
não acreditavam muito no seu triunfo, mas estavam lá!!!!
Agora, para seus alunos...
Ter um pai faixa preta, professor, agora
Shihan da Garras do Tigre não é fácil!
Nossa!... Se não fosse a paciência
dele!...
Não quero me prolongar muito mais, então
vou pedir desculpas por “roubar” sua faixa preta... (Vxiiii, ferrou!) E se o
senhor quiser um Jyu Kumite por isso acho que hoje estou pronto, depois de 10
anos de faixa preta (naquela época eu era muito ousado... o senhor lembra?!).
Agora, seus alunos mais novos, não
sei... kkkkk...
segunda-feira, 30 de março de 2015
Qual a principal diferença do combate (kumite) do Karatê, Muay Thai e o Taekwondo??
Objetivo em nenhum momento é denegrir ou
rebaixar cada uma das modalidades, a verdade é que vou tentar mostrar a
diferença do Karatê Shotokan para com as outras lutas...
TIME (TEMPO)
A
diferença está aí...
Usando a ajuda da biomecânica podemos
notar a semelhança entre os golpes dessas três modalidades, chute frontal,
chute circular e socos (exceto o muay thai, que usa muitos movimentos do boxe
nas técnicas de braço).
Durante os anos de treino
incansavelmente de Kihon, Kata e Kumite o karateca deve aprende o que Mestre
Sagara chama de Karatê Tridimensional: espírito, mente e físico, a união desses
três fatores proporciona ao praticante a tranquilidade, o auto-controle, e
assim o aperfeiçoamento da técnica correta.
E
onde entra o time em toda essa
história?
Começa no treino mais básico de
kihon, segue para o tempo necessário para executar de um Kata o Heian Shodan, e
no terceiro passo a luta “combinada” Gohon, Ippon e Jiu Kumite. Para então
chegarmos no Shiai ou luta livre.
Quando o praticante passa por esses
três pilares do Karatê de forma correta, ele tem a capacidade de antever o
movimento do adversário, em alguns casos de se defender e contra-atacar, é o
que chamamos de GO NO SEN e TAI NO SEN.
Então o Karateca tem mais calma
durante a luta, essa calma deixa o tempo de combate excepcional o suficiente
para enxergar os movimentos executados pelo adversário, praticante excitado, ou
ate mesmo afoito, perdem a concentração e com isso o controle do combate...
Na
minha opinião, essa é a grande diferença do Karatê...
sexta-feira, 27 de março de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
IPPON X SHIKKAKU
Eis a questão: Ippon ou Shikaku?
O Karatê-dô, como toda arte marcial, tem
uma história milenar, que desenvolveu e consolidou o conceito de “budo” que significa “Caminhos
Marciais”, que foi introduzido no Karatê pelo grande mestre Gichin Funakoshi. O
mestre dizia que o principal objetivo de treinar Karatê, naquela época, era
aprender a se defender pois não existia a competição. A essência dos
ensinamentos priorizava o espírito fundamental da arte da guerra: era “matar ou
morrer”. Durante séculos os guerreiros orientais foram treinados sobre esse
prisma, mas com o passar do tempo, com a globalização destas práticas de
combate, e principalmente, com a esportivização e a espetacularização das
lutas, as artes marciais vêm ganhando outras características.
Nesse percurso histórico foi inevitável
que outros valores e modos de comportamento fossem agregados às lutas, já que
os costumes ocidentais afastaram as lutas das origens guerreiras e técnicas
fatais e as aproximaram a outras conotações como a defesa pessoal, o lazer, o
exercício físico e o esporte.
Sendo assim, quando tratamos das lutas
hoje, nas suas mais diversas manifestações e modalidades, existem regras que
são estabelecidas conforme cada estilo e cada Federação. Até mesmo o Mixed Marcial Arts (MMA) é respaldado
por regras que buscam garantir a integridade física dos atletas, assim como no
Karatê esportivo (guardadas as devidas proporções). Muitos dos eventos de lutas
hoje visam apresentar ao público espetáculos magníficos nos quais os combates tem
um proposito mercadológico.
HAJIME!!!
O vídeo em questão tem sido alvo de
acaloradas discussões nas redes sociais ultimamente... levando em conta o que
foi considerado anteriormente, expresso então a minha opinião. Foi explícita
agressão, que nesse caso acaba com um Shikkaku
(expulsão). O atleta de AO (azul), que estava em larga vantagem na contagem
de pontos contra seu adversário AKA (vermelho) desfere um Ushiro Ura Kakato (chute
rodado com o calcanhar), quando aparentemente a luta estava se encaminhando para
o encerramento do tempo.
Não façamos uma avaliação superficial
apenas do momento mais polêmico do combate! Levando em conta todo o contexto da
luta, avalio que o nocaute seria no mínimo desnecessário (para não dizer
desleal!).
O golpe foi executado com o objetivo de
machucar seu adversário ou o fato de deixar o oponente sem condições de
prosseguir na luta foi resultado de uma displicência?? Era uma questão de
demonstrar suas habilidades (ou até mesmo sua virilidade?)?? Ou foi realmente um
golpe sem má intenção?
Um dos grandes mestres do Karatê de
Contato, Oyama, ensina que “o karateca não se aperfeiçoa para lutar; luta para
se aperfeiçoar”.
Aí eu me pergunto: qual o objetivo desse
aperfeiçoamento?
Somente a força bruta?
Penso que o Grande Mestre do Karatê-Dô
Gichin Funakoshi, considerado pai do Karatê moderno, bem como tantos outros
Grandes Mestres das Artes Marciais, não dedicariam suas vidas a uma obra sem
propósito; então os “primeiros” princípios devem ser seguidos de forma honrosa
por seus praticantes.
PRIMEIRO ESFORÇAR-SE PARA A
FORMAÇÃO DO CARÁTER
PRIMEIRO FIDELIDADE AO VERDADEIRO
CAMINHO DA RAZÃO
PRIMEIRO CRIAR O INTUITO DE
ESFORÇO
PRIMEIRO RESPEITAR ACIMA DE TUDO
PRIMEIRO CONTER O ESPÍRITO DE
AGRESSÃO
E...
o que seria um Ippon?
Aprendi
com meus Sensei que é o ippon é o golpe perfeito, o resultado do
treinamento incansável dentro e fora do Dojo. O golpe perfeito requer além de zanchin (concentração), uma base
correta, respiração eficiente, uma mecânica apurada, kime, força adequada, auto-controle e... RESPEITO ACIMA DE TUDO.
OSS.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Saudações, futuros "samurais modernos"...
O grande mestre do
Karatê Shotokan já dizia que “Na busca do antigo, está a compreensão do novo.
Ser-se o velho ou novo, é tudo uma questão de tempo. Sobre todas as coisas, o
homem deve ter uma mente limpa. Este é o verdadeiro caminho! Quem o percorre
corretamente?”
Eu como Sensei e aluno,
venho me deparando com uma geração de karatecas “Simpato Yamazaki”, a geração
dos anos 80 e 90 assistiram o “grande herói” da televisão o Chapolin Colorado, em
um confronto com um karateca pra lá de fajuto. (https://www.youtube.com/watch?v=x2TYdqgMfYk)
Como vem sendo difícil
ensinar o “caminho” do Karatê-dô para essa nova geração! E é fácil nos deparamos com o dilema:
competição X filosofia.
O Karatê não diferente
da sociedade atual vem passando por transformações, “o velho e o novo” repassar
os princípios, a filosofia, que meu Sensei deixou não está sendo fácil! Como
cobrar de uma geração que não suporta a cobrança, que “desiste na primeira topada”.
Então fica a pergunta, qual é o objetivo de treinar Karatê?
Já se vão alguns
anos... quando eu era um “piázinho” em Goioêre/PR... (e olha que eu nem sou tão
velho assim... 20 anos no karatê! Há 10 anos faixa preta! É... pensando bem...
alguns passos mas perto do caminho...).
Menino criado com avó,
levei muuuuito puxão de orelha em casa! Mais ainda na academia, onde meu pai e
Sensei não deixava muito barato as broncas da mãe, filho mais velho vocês nem
imaginam...
No começo não era tão diferente
de hoje! Toda criança quer brincar, descontrair, se divertir... Mas, aos poucos
a fase das brincadeiras foi dando lugar aos treinos mais “sérios”.
Houve então uma mudança
no foco, na medida também do amadurecimento pessoal, meus colegas e eu passamos
a nos espelhar nos karatecas mais graduados, como os alunos mais velhos e o
Sensei.
Eram a nossa inspiração,
não somente pelos resultados nas competições e sim referências na vida. No
tatame, técnica e garra. Na vida, disciplina, dedicação, boa reputação. Honra
de “samurai moderno”, eu diria!
SER O EXEMPLO! Foi a prioridade para a
nossa geração.
Ver os faixas pretas
treinando, se doando ao máximo em cada sessão de treino significava para nós
que deveríamos fazer o mesmo: dar o melhor de si! 110%! O cansaço, a dor e o
sofrimento significavam superação e aprendizado.
Mestre Funakoshi
em um de seus relatos escreveu como era a prática na sua época, guardado as
devidas proporções, os nossos treinos tinham uma semelhança em todos os
aspectos, muita disciplina e doação. "Noite após noite, frequentemente no
pátio da casa dos Azato, sob a observação do mestre, eu praticava um kata
(exercício formal) repetidas vezes, semana após semana, às vezes mês após mês,
até tê-lo dominado completamente para satisfação do meu professor. (Fuakoshi,
p. 21. 2010)
“Shut up and train!”
Havia outros momentos, as valiosas oportunidade de ouvir os mais velhos e mais graduados conversarem, que nos ajudavam a entender o valor de cada soco,
chute e defesa, de cada kiai, de cada frase do Dojo Kun repetida incontáveis
vezes, e de cada castigo físico e moral imputados.
Nas nossas competições,
além da ludicidade, havia uma arbitragem educativa que não estava ali para manipular
os resultados, privilegiando o ranking da sua própria academia... e sim para
ensinar e fazer prevalecer as regras e os valores primordiais que asseguram que
uma competição esportiva possa proporcionar em sua dimensão formativa. A competitividade
era estimulada no sentido de superação das limitações individuais. O nosso
Sensei afirmava que ganhar ou perder, dependia de quanto suor era derramado no
tatame, e que na maioria das vezes a derrota ensina muito mais que a vitória,
pois mostra onde podemos melhorar e que precisamos treinar mais.
Fomos forjados nos
moldes mais rígidos, tendo clareza de que melhor seria se desistíssemos na
faixa marrom, pois entendemos o peso e o significado que teria a faixa preta.
Nunca desistir. Esse seria o compromisso de cada karateca: reconhecer que a
transição para o 1° Dan seria o ponto de partida e não de chegada.
Como um velho amigo e Sempai (aluno mais velho) me perguntara uma vez. Você sabe qual é o caminho?
Qual é o caminho?
Hoje os tempos são
outros, a família é outra, a escola é outra, é outra geração. Se nossas
exigências hoje fossem as mesmas daquela época? Não, não podem ser.
Sei que é também uma
questão geográfica...
Mas, infelizmente, o
que prevalece hoje, é um karatê estereotipado (como daquele karateca “Simpato
Yamazaki”...), a ludicidade das competições deu lugar a esportivização, ganhar a qualquer custo.
O que quero dizer com
isso? É que muitos valores que foram e estão sendo ensinados ficam
negligenciados quando o Karatê é visto apenas com mais uma atividade física ou
prática esportiva que ocupa três horinhas na semana...
No tatame e fora dele,
a responsabilidade que tenho pra mim, sabendo que não posso cobrar meus alunos
da maneira como fui cobrado, me resta inspirá-los, demonstrando que cada
técnica bem executada, cada forma a mais perfeita o possível, cada kiai mais
autêntico e expressivo, cada lema respeitosamente seguido valem a pena, no Dojo
e na vida.
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