segunda-feira, 30 de março de 2015

Qual a principal diferença do combate (kumite) do Karatê, Muay Thai e o Taekwondo??

Objetivo em nenhum momento é denegrir ou rebaixar cada uma das modalidades, a verdade é que vou tentar mostrar a diferença do Karatê Shotokan para com as outras lutas...

TIME (TEMPO)

A diferença está aí...

Usando a ajuda da biomecânica podemos notar a semelhança entre os golpes dessas três modalidades, chute frontal, chute circular e socos (exceto o muay thai, que usa muitos movimentos do boxe nas técnicas de braço).
            Durante os anos de treino incansavelmente de Kihon, Kata e Kumite o karateca deve aprende o que Mestre Sagara chama de Karatê Tridimensional: espírito, mente e físico, a união desses três fatores proporciona ao praticante a tranquilidade, o auto-controle, e assim o aperfeiçoamento da técnica correta.
           
E onde entra o time em toda essa história?

            Começa no treino mais básico de kihon, segue para o tempo necessário para executar de um Kata o Heian Shodan, e no terceiro passo a luta “combinada” Gohon, Ippon e Jiu Kumite. Para então chegarmos no Shiai ou luta livre.
            Quando o praticante passa por esses três pilares do Karatê de forma correta, ele tem a capacidade de antever o movimento do adversário, em alguns casos de se defender e contra-atacar, é o que chamamos de GO NO SEN e TAI NO SEN.
            Então o Karateca tem mais calma durante a luta, essa calma deixa o tempo de combate excepcional o suficiente para enxergar os movimentos executados pelo adversário, praticante excitado, ou ate mesmo afoito, perdem a concentração e com isso o controle do combate...


Na minha opinião, essa é a grande diferença do Karatê... 

terça-feira, 24 de março de 2015

IPPON X SHIKKAKU


Eis a questão: Ippon ou Shikaku?

O Karatê-dô, como toda arte marcial, tem uma história milenar, que desenvolveu e consolidou o conceito de “budo” que significa “Caminhos Marciais”, que foi introduzido no Karatê pelo grande mestre Gichin Funakoshi. O mestre dizia que o principal objetivo de treinar Karatê, naquela época, era aprender a se defender pois não existia a competição. A essência dos ensinamentos priorizava o espírito fundamental da arte da guerra: era “matar ou morrer”. Durante séculos os guerreiros orientais foram treinados sobre esse prisma, mas com o passar do tempo, com a globalização destas práticas de combate, e principalmente, com a esportivização e a espetacularização das lutas, as artes marciais vêm ganhando outras características.
Nesse percurso histórico foi inevitável que outros valores e modos de comportamento fossem agregados às lutas, já que os costumes ocidentais afastaram as lutas das origens guerreiras e técnicas fatais e as aproximaram a outras conotações como a defesa pessoal, o lazer, o exercício físico e o esporte.
Sendo assim, quando tratamos das lutas hoje, nas suas mais diversas manifestações e modalidades, existem regras que são estabelecidas conforme cada estilo e cada Federação. Até mesmo o Mixed Marcial Arts (MMA) é respaldado por regras que buscam garantir a integridade física dos atletas, assim como no Karatê esportivo (guardadas as devidas proporções). Muitos dos eventos de lutas hoje visam apresentar ao público espetáculos magníficos nos quais os combates tem um proposito mercadológico.

HAJIME!!!


  
O vídeo em questão tem sido alvo de acaloradas discussões nas redes sociais ultimamente... levando em conta o que foi considerado anteriormente, expresso então a minha opinião. Foi explícita agressão, que nesse caso acaba com um Shikkaku (expulsão). O atleta de AO (azul), que estava em larga vantagem na contagem de pontos contra seu adversário AKA (vermelho) desfere um Ushiro Ura Kakato (chute rodado com o calcanhar), quando aparentemente a luta estava se encaminhando para o encerramento do tempo.
Não façamos uma avaliação superficial apenas do momento mais polêmico do combate! Levando em conta todo o contexto da luta, avalio que o nocaute seria no mínimo desnecessário (para não dizer desleal!).
O golpe foi executado com o objetivo de machucar seu adversário ou o fato de deixar o oponente sem condições de prosseguir na luta foi resultado de uma displicência?? Era uma questão de demonstrar suas habilidades (ou até mesmo sua virilidade?)?? Ou foi realmente um golpe sem má intenção?
Um dos grandes mestres do Karatê de Contato, Oyama, ensina que “o karateca não se aperfeiçoa para lutar; luta para se aperfeiçoar”.
Aí eu me pergunto: qual o objetivo desse aperfeiçoamento?
Somente a força bruta?





Penso que o Grande Mestre do Karatê-Dô Gichin Funakoshi, considerado pai do Karatê moderno, bem como tantos outros Grandes Mestres das Artes Marciais, não dedicariam suas vidas a uma obra sem propósito; então os “primeiros” princípios devem ser seguidos de forma honrosa por seus praticantes.






PRIMEIRO ESFORÇAR-SE PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER
PRIMEIRO FIDELIDADE AO VERDADEIRO CAMINHO DA RAZÃO
PRIMEIRO CRIAR O INTUITO DE ESFORÇO
PRIMEIRO RESPEITAR ACIMA DE TUDO
PRIMEIRO CONTER O ESPÍRITO DE AGRESSÃO
           
            E... o que seria um Ippon?
            Aprendi com meus Sensei que é o ippon é o golpe perfeito, o resultado do treinamento incansável dentro e fora do Dojo. O golpe perfeito requer além de zanchin (concentração), uma base correta, respiração eficiente, uma mecânica apurada, kime, força adequada, auto-controle e... RESPEITO ACIMA DE TUDO. OSS.


                                                                                                                                 YAME!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Saudações, futuros "samurais modernos"...

O grande mestre do Karatê Shotokan já dizia que “Na busca do antigo, está a compreensão do novo. Ser-se o velho ou novo, é tudo uma questão de tempo. Sobre todas as coisas, o homem deve ter uma mente limpa. Este é o verdadeiro caminho! Quem o percorre corretamente?”
Eu como Sensei e aluno, venho me deparando com uma geração de karatecas “Simpato Yamazaki”, a geração dos anos 80 e 90 assistiram o “grande herói” da televisão o Chapolin Colorado, em um confronto com um karateca pra lá de fajuto. (https://www.youtube.com/watch?v=x2TYdqgMfYk)
Como vem sendo difícil ensinar o “caminho” do Karatê-dô para essa nova geração! E é fácil nos deparamos com o dilema: competição X filosofia.
O Karatê não diferente da sociedade atual vem passando por transformações, “o velho e o novo” repassar os princípios, a filosofia, que meu Sensei deixou não está sendo fácil! Como cobrar de uma geração que não suporta a cobrança, que “desiste na primeira topada”. Então fica a pergunta, qual é o objetivo de treinar Karatê?

Já se vão alguns anos... quando eu era um “piázinho” em Goioêre/PR... (e olha que eu nem sou tão velho assim... 20 anos no karatê! Há 10 anos faixa preta! É... pensando bem... alguns passos mas perto do caminho...).
Menino criado com avó, levei muuuuito puxão de orelha em casa! Mais ainda na academia, onde meu pai e Sensei não deixava muito barato as broncas da mãe, filho mais velho vocês nem imaginam...
No começo não era tão diferente de hoje! Toda criança quer brincar, descontrair, se divertir... Mas, aos poucos a fase das brincadeiras foi dando lugar aos treinos mais “sérios”.
Houve então uma mudança no foco, na medida também do amadurecimento pessoal, meus colegas e eu passamos a nos espelhar nos karatecas mais graduados, como os alunos mais velhos e o Sensei.
Eram a nossa inspiração, não somente pelos resultados nas competições e sim referências na vida. No tatame, técnica e garra. Na vida, disciplina, dedicação, boa reputação. Honra de “samurai moderno”, eu diria!

SER O EXEMPLO! Foi a prioridade para a nossa geração.

Ver os faixas pretas treinando, se doando ao máximo em cada sessão de treino significava para nós que deveríamos fazer o mesmo: dar o melhor de si! 110%! O cansaço, a dor e o sofrimento significavam superação e aprendizado.
Mestre Funakoshi em um de seus relatos escreveu como era a prática na sua época, guardado as devidas proporções, os nossos treinos tinham uma semelhança em todos os aspectos, muita disciplina e doação. "Noite após noite, frequentemente no pátio da casa dos Azato, sob a observação do mestre, eu praticava um kata (exercício formal) repetidas vezes, semana após semana, às vezes mês após mês, até tê-lo dominado completamente para satisfação do meu professor. (Fuakoshi, p. 21. 2010)




“Shut up and train!”







Havia outros momentos, as valiosas oportunidade de ouvir os mais velhos e mais graduados conversarem, que nos ajudavam a entender o valor de cada soco, chute e defesa, de cada kiai, de cada frase do Dojo Kun repetida incontáveis vezes, e de cada castigo físico e moral imputados.
Nas nossas competições, além da ludicidade, havia uma arbitragem educativa que não estava ali para manipular os resultados, privilegiando o ranking da sua própria academia... e sim para ensinar e fazer prevalecer as regras e os valores primordiais que asseguram que uma competição esportiva possa proporcionar em sua dimensão formativa. A competitividade era estimulada no sentido de superação das limitações individuais. O nosso Sensei afirmava que ganhar ou perder, dependia de quanto suor era derramado no tatame, e que na maioria das vezes a derrota ensina muito mais que a vitória, pois mostra onde podemos melhorar e que precisamos treinar mais.
Fomos forjados nos moldes mais rígidos, tendo clareza de que melhor seria se desistíssemos na faixa marrom, pois entendemos o peso e o significado que teria a faixa preta. Nunca desistir. Esse seria o compromisso de cada karateca: reconhecer que a transição para o 1° Dan seria o ponto de partida e não de chegada. 
Como um velho amigo e Sempai (aluno mais velho)  me perguntara uma vez. Você sabe qual é o caminho? 

Qual é o caminho?

Hoje os tempos são outros, a família é outra, a escola é outra, é outra geração. Se nossas exigências hoje fossem as mesmas daquela época? Não, não podem ser.

Sei que é também uma questão geográfica...

Mas, infelizmente, o que prevalece hoje, é um karatê estereotipado (como daquele karateca “Simpato Yamazaki”...), a ludicidade das competições deu lugar a esportivização, ganhar a qualquer custo.
O que quero dizer com isso? É que muitos valores que foram e estão sendo ensinados ficam negligenciados quando o Karatê é visto apenas com mais uma atividade física ou prática esportiva que ocupa três horinhas na semana...

No tatame e fora dele, a responsabilidade que tenho pra mim, sabendo que não posso cobrar meus alunos da maneira como fui cobrado, me resta inspirá-los, demonstrando que cada técnica bem executada, cada forma a mais perfeita o possível, cada kiai mais autêntico e expressivo, cada lema respeitosamente seguido valem a pena, no Dojo e na vida.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Kumite - 組手


Kihon Ippon Kumite - JKA 

A última (e não menos importante!) parte que compõe o tripé do Karatê-Dô Shotokan é o Kumitê, que significa luta, combate contra um adversário. Deixando de lado as luta imaginárias do Kata, no Kumitê aplicam-se ataques de braço e perna e defesas, contra um oponente real. As lutas ainda podem ser combinadas, semi-combinadas ou livres.
            O significado literal de Kumitê, em japonês, é “encontro de mãos”. Kumi: “encontro” e Te: “mãos”. Todo praticante de Karatê deve (ou deveria!) aprender ao longo de sua formação e treinar durante anos, os vários tipos de Kumitê, não somente o Shiai (luta esportiva) como também passar pelas várias etapas de Gohon e Sanbon (para iniciantes faixas branca, cinza e azul - YOBUKAN), de Ippon (para praticantes intermediários faixas amarela, vermelha e laranja), de Jyu Ippon (para faixas verde, roxa e marrom) e Jyu Kumite (para faixas pretas).
            A cortesia é fator importante na cultura japonesa e, principalmente nas artes marciais, a praticamos (ou deveríamos praticar!) em todos os momentos, não somente no Kihon e no Kata, como dizia o grande mestre Funakoshi “o Karatê inicia e termina com cortesia” e é assim que deve ser também no Kumitê: fazer a saudação com respeito e agradecimento pela oportunidade de ter o companheiro para treinar é algo admirável.
            Mestre Jonery repete um ensinamento dos velhos mestres a cada praticante afoito em lutar: “treine Kihon (fundamento) e Kata (forma) que o Kumitê sai”. Sensei Jonery é claro ao dizer que “não se desenvolve o Kumitê só praticando a luta em si e que o praticante deve treinar o Kihon e o Kata mais do que o Kumitê, e com isso estará sempre aprimorando a luta”.

Gohon-Kumitê (5 ataques e 5 defesas com 1 contra-ataque) é muito utilizado nos treinamentos de praticantes iniciantes, por conter movimentos simples. Quem ataca (tori) tira uma medida jodan (nível alto), chudan (nível médio) ou gedan (nível baixo) em pé e recua a perna direita ficando em gedan-barai de esquerda na base zenkutsu-dachi e quem defende (uke) fica em pé inicialmente.

Sanbon-Kumitê (3 ataques e 3 defesas com 1 contra-ataque). É idêntico ao gohon só que é feito em 3 passadas e é usado pelos praticantes faixa azul (Yobukan/Garras do Tigre), ou para os faixa branca.

Ippon-Kumitê (1 ataque e 1 defesa com contra-ataque). Posturas iniciais idênticas aos anteriores. O defensor se desloca para trás e para o lado, saindo da linha do atacante que não pode seguir o alvo. Procurar aplicar o contra-ataque sempre chudan. Lembrar sempre do grito (kiai) no ataque e no contra-ataque.

Jyu-Ippon-Kumite: (semi-combinado) avisa-se a região do corpo onde será desferido o golpe e/ou o tipo de golpe que será aplicado. É um dos mais difíceis treinamentos de Karatê, mais difícil até que o Jyu-Kumitê (livre). Apesar de ser semi-combinado é de uma complexidade muito grande. Se o praticante se aprimorar nesse treinamento se sairá bem em luta. Ambos os praticantes na base livre (jyu-kamae).

Jyu Kumite (combate livre) Após a saudação os praticantes iniciam o combate livremente, tentando encaixar os golpes. O combate poderá ser orientado para técnicas de pernas (ashi-waza) ou técnicas de braços (te-waza); um ser o atacante (tori-waza) e o outro usar o contra ataque sendo somente o defensor (uke-waza); enfim, quanto menos forte mais corretas deverão ser as técnicas e sempre controladas.

Shiai-Kumite (luta de competição) É uma luta pela conquista de pontos, onde há as técnicas permitidas de acordo com as normas de cada federação. A competição deve servir para o praticante desenvolver o respeito e disciplinar-se física e mentalmente.

Cada federação esportiva tem regras diferentes e o praticante que treinar os princípios do verdadeiro Karatê nunca terá problemas para se adaptar as regras e técnicas exigidas para pontuar na federação em que for participar.
Os protetores que são utilizados nas competições ou treinos, não são para que o karateca bata mais e sim para que ele anule os impactos e arrisque mais, sem medo de machucar a si ou ao companheiro.

Me-Narashi (sem força) É um combate livre, sem força, também chamado de “Kumitê sombra” podendo ser acelerado ou em câmera lenta, de acordo com o objetivo do treino. É nele que se aprende a executar as técnicas corretamente, sem o medo de se machucar. Pode ser utilizado para o aprimoramento tanto do jyu-kumite quanto do shiai-kumite.

            A grande questão é: treinar Shiai ou treinar Kumitê?

O problema que vemos nos nossos dias, nas “badaladas” confederações, é a especialização dos atletas, ditos karatecas (ahhhh sim!... na minha humilde opinião... KARATECAS SIMPATO YAMAZAKI... isso sim!), que fazem a opção apenas pelo “Kumitê” ou apenas pelo “Kata”, prática que vem influenciando novos praticantes... e a consequência é que deixamos de treinar Karatê e os professores pelo mundo deixam de ensinar o Karatê como um só (sentido de totalidade da arte), dando ênfase ao Shiai que é somente mais um método de treinar o Kumitê e não o Karatê na sua essência.
Então... esses são os espinhos?? Ahhh... apenas alguns deles, dentre outros... que nos causam sofrimento e dor de verdade quando presenciamos a desvalorização e a prática reducionista e superficial de um karatê (re)inventado sem nenhuma responsabilidade e sem a devida consideração e respeito ao legado deixado pelos grandes mestres.
E assim vemos florescer a nossa árvore... e... estamos cientes da qualidade dos frutos que pretendemos colher?...

Genealogia Humana
O homem se equipara a uma árvore: suas flores são felicidade, seus galhos, seu objetivo; suas folhas, segurança; seu tronco, fortaleza; sua raiz, o conhecimento; a natureza, sua fonte de vida. Muitas vezes, espinhos invadem seu espaço e tentam combate-la tirando suas folhas, impedindo os galhos e ferindo o seu tronco... mas sua raiz continua intacta porque ela é que extrai da natureza toda a energia necessária para manter o arbusto, e é a partir da raiz que o tronco e membro se constroem.
Quem contem raiz forte, longa e firme lutará e vencerá os espinhos não importando o quanto sua estrutura for afetada, mas os que tem raiz fraca aos espinhos estará entregue, pois em seu corpo não há sustento para enfrentar uma batalha.

(FAZANARO, 1992 apud GUIMARÃES & GUIMARÃES, 2002, p. 185)

sábado, 24 de janeiro de 2015

Kata


No tripé conhecido pelos Karatecas, já abordamos o Kihon (técnicas básicas) e agora chegamos ao tronco do Karatê Shotokan ou Kata que são formas predefinidas ou combinações lógicas de técnicas de bloqueio, soco e chute.

Não vamos nos precipitar! Ainda não estou falando de competição.

Mestres como Nakayama, Sagara, Nakama são unanimes no treinamento quando o assunto é Kata. No livro “O melhor do Karatê” Nakayama divide os Kata em dois grupos, no primeiro grupo os apropriados ao desenvolvimento físico e ao fortalecimento muscular e no grupo dois os Kata apropriados para o desenvolvimento de reflexos e movimentos rápidos.
Dentro da sequência do Karatê Shotokan seguida pela JKA, ISKF, YOBUKAN e pela Garras do Tigre, os alunos faixa branca a laranja treinam os Kata Heian (5 Kata) por mais que pareçam simples, eles requerem tranquilidade para serem executados. Os Kata da série Heian juntamente com a série Tekki (3 Kata) se encaixam no primeiro grupo e são considerados os Kata básicos da Shotokan e devem ser praticados até que essas técnicas sejam assimiladas e passem a ser executadas de forma natural.
Os outros 18 Kata são considerados os superiores que tem como objetivo os movimentos relâmpagos. Esses Kata sugerem o vôo rápido da andorinha que representa a agilidade (Empi), o grou sobre a rocha ou equilíbrio (Gankaku), a força (Jion e Gojushiho) ou desenvolvimento de uma base firme (Sochin). Cada Kata superior possui um objetivo, e dá ênfase a um determinado tipo de treinamento e fazem parte do grupo dois.
Para treinar Kata os praticantes devem buscar o domínio de três fatores que não precisam ser aperfeiçoados nessa ordem. O Espírito, que o mestre Sagara afirma, através do treinamento busca a elevação do estado espiritual. O domínio da mente que através do treinamento físico busca-se captar a energia da mente que é utilizada para “produzir” e “construir” e buscar na sua parte mental a tranquilidade e o auto-controle. E o domínio do físico busca o equilíbrio do quadril, pernas e braços e o aperfeiçoamento do Kimê. Os karatecas devem buscar o equilíbrio desses três fatores.

Segundo Nakayama os pontos específicos no desempenho dos Kata são:

Ordem correta: o número e a sequência dos movimentos são predeterminados.
Começo e término: o Kata tem que ser iniciado e concluído no mesmo ponto do embusen (caminho do Kata).
Significado de cada movimento: cada movimento, de defesa ou ataque, tem que ser claramente entendido e plenamente expressado.
Consciência do alvo: o karateca tem que saber o que é o alvo e quando executar uma técnica.
Ritmo e regulagem do tempo: o ritmo tem que ser apropriado a cada Kata em particular e o corpo tem que estar flexível. Nunca demasiado tenso.
Respiração adequada: a respiração deve ser alterada de acordo com as situações, mas basicamente inspirar ao bloquear e expirar ao executar uma técnica de arremate.


Kata básico

Kata Superior*
Heian Shodan
Bassai dai
Heian Nidan
Jion
Heian Sansan
Kanku dai
Heian Yodan
Empi
Heian Godan
Hangetsu
Tekki Shodan
Bassai sho
Tekki Nidan
Kanku sho
Tekki Sandan
Chinte

Jitte

Gankaku

Sochin

Nijunshiho

Meikyo

Gojushiho sho

Gojushiho dai

Unsu

Jiin

Wankan
*Os Kata superiores não ensinados/aprendidos necessariamente nesta ordem

Como o próprio Funakoshi previu, ainda em vida:
“Os tempos mudam, o mundo muda e obviamente as artes marciais também devem mudar. O Karatê que os alunos de segundo grau praticam hoje não é o mesmo que era praticado há dez anos, e é bem grande a distância que o separa do Karatê que aprendi quando era criança em Okinawa. Considerando que não há atualmente, e nem nunca houve, nenhuma regra rígida com relação aos vários katas, não é de surpreender que estes tenham mudado não somente com os tempos mas ainda de instrutor para instrutor” (FUNAKOSHI, 1975, p.47-48)


Assim, o Karatê tem sido (re)inventado...


Hoje vemos várias linhagens no Karatê, inclusive dentro da Shotokan, e não existe um consenso quanto ao que é certo ou errado nos Kata. Essas diferenças nas escolas geram muitas controvérsias entre os praticantes, até mesmo muitos dos mais velhos e mais graduados não têm clareza de qual linhagem seguir.

JKA (Japan Karate Association);
ISKF (International Shotokan Karate Federation);
SKIF (Shotokan Karate International Federation);
JKF (Japan Karate Federation).

O agravante é que inúmeras confederações e outras instituições esportivas, no Brasil e no mundo, tem como objetivo as competições, dando ênfase ao treinamento e ao aprimoramento técnico voltado à plasticidade dos movimentos (estética), em detrimento a essência e eficiência verdadeira dos Kata.
O Karatê Esportivo é uma tendência irreversível, e de reconhecida importância. Mas é necessário admitir que essa esportivização tem gerado consequências negativas em alguns casos, como a negligência de valores essenciais para a formação de seus “atletas”.

Como afirmou nosso grande mestre, “O Karatê-Dô é um só [...] um problema sério que assedia o Karatê-Dô atual é a predominância de escolas divergentes. Acredito que isso terá um efeito deletério sobre o desenvolvimento futuro da arte.” (FUNAKOSHI, 1975, p.48)


Recuperando a analogia da nossa árvore... deixo aqui uma reflexão aos especializados em Kumitê: COMO COLHER FRUTOS DE UMA ÁRVORE QUE NÃO TEM GALHOS, TRONCO E RAÍZES FORTES?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Kihon


Créditos de Imagem:  http://www.karatenerd.com.br/

O Karatê Shotokan é formado por um tripé conhecido pelos karatecas como Kihon (técnicas básicas), Kata (formas) e o Kumite (Luta), os grandes mestres do Karatê defendem que os três são em essência uma única coisa. Para mestre como Jonery Henrique dos Santos e pela própria JKA (Associação Japonesa de Karatê), sem o Kihon (técnicas básicas) não pode haver nem Kata nem Kumite. Igualmente o Kata que não deve ser separado do Kumite, pois perde-se o conhecimento que vem da aplicação (sentido de unidade ou totalidade), da mesma forma que não pode haver Kumite separado do Kata a fim de não perder a agilidade característica do Karatê.

Considerando este tripé, hoje vamos falar do Kihon, que são as raízes do Karatê, em uma analogia a uma árvore. O Kihon são as raízes, a força, o que sustenta toda uma estrutura. Se os karatecas tiverem uma raiz fraca a árvore tende a cair. Nas outras partes da árvore podemos entender os troncos sendo os Katas e as folhas e frutos o Kumite, que abordaremos em outras postagens.

As palavras do Sensei Jonery Henrique dos Santos, quando falamos de Kihon são claras: para o mestre são processos pedagógicos onde o praticante aprende o básico que apóia toda a estrutura técnica e física. 

As graduações do Karatê Shotokan são 07 Kyus, dentro da escola Yobukan são 09 Kyus. Para cada Kyu há uma cobrança, e está aí a grande importância do Kihon. Um faixa branca para amarela ou branca para cinza deve saber alguns golpes de Tzuki (soco), Uke (defesa), Geri (chute) e Dachi (posições), eles precisam de uma postura adequada, equilíbrio e ângulo de cada movimento e o principal e como em tudo na vida é necessário a dedicação e a repetição contínua para aprimorar o Kihon Karatê.

Segundo o Sensei Jonery “O Kihon é o alicerce para todos os demais treinamentos que advirão com o crescente aumento do nível técnico do praticante. Sendo exercícios básicos, onde se firmarão todos os outros, é preciso uma repetição diária e constante para se adquirir força, velocidade, coordenação, resistência etc., que são necessárias para o aprimoramento do Kata e do Kumite”. 

Sempre que o professor colocar a palavra Kihon na frente de outra palavra, quer dizer que deve ser feito o fundamento perfeito como num exame de faixa, colocando sempre em primeiro lugar a técnica bem executada, em segundo lugar a força e por último a velocidade. Nunca fazer veloz sem a força e nunca fazer forte sem a técnica correta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O significado do Kiai


Mestre Masahiko Tanaka, em uma foto clássica de seu Mae Geri.

O que é realmente o Kiai?!

Vários autores vêm escrevendo sobre a técnica... Nakayama (2010), por exemplo, cita que a respiração é de grande importância para execução das técnicas, “basicamente deve-se inspirar ao fazer um bloqueio e expirar ao executar uma técnica de arremate”. Nakayama afirma que o Kiai ocorre no momento máximo de tensão: “A expiração muito intensa e a contração do abdômen podem dotar os músculos de uma força extra.”
Mas, na busca por um melhor entendimento a respeito da importância dessa técnica Frosi e Mazo (2011) vão à procura de compreender a espiritualidade do Kiai. Para os autores a sociedade brasileira, que foi colonizada e dominada pelos portugueses durante 400 anos e que teve como formação social o pensamento materialista e dualista, característico do mundo capitalista (assim como os demais povos ocidentais), tem grandes dificuldades de compreender o conceito de “energia vital”, pensar na alma (mente) separada do corpo, muitos chegam a ridicularizar este princípio que envolve as artes marciais e a cultura Oriental.
Os autores vão além ao afirmarem que o real problema está na técnica, ou seja, na compreensão da mecânica de alguns exercícios, em especial o Kiaijutsu, essa técnica que foi desenvolvida pelos Samurais.

Em primeiro lugar, os guerreiros eram treinados em Kiai (presença espiritual) para aguçar a sensibilidade e a própria força de presença, podendo utilizar a intuição em combate. Em segundo lugar, transformavam a manifestação do campo vital (ou campo Akáshico) em arma, somando o efeito desse campo ao golpe físico, podia ser um soco ou chute, por exemplo, através de um brandido que conduzia a energia vital: o Kiai (grito de espírito). Infelizmente, o que vemos hoje é um costume de gritar de forma aleatória e sem consciência nas sessões de treinamento e nas competições. (FROSI, T.O. £ MAZO, J.Z. 2011).

O grito de espírito, ou Kiai, dá forma ao “Espírito do Guerreiro”. Os ensinamentos deixados, pela tradição oral e escrita, pelos grandes mestres do Karatê como Funakoshi, Nakayama, Okasaki, Sagara, Tanaka, Osaka dentre tantos outros, devem ser passados aos nossos karatekas dos mais novos aos mais velhos. O caminho das mãos vazias está dentro de cada Dojô, de cada academia, local que cada Sensei (professor) deve ter a sensibilidade necessária, o compromisso e a responsabilidade de honrar o legado dos grandes Mestres, contribuindo para que cada aluno encontre seu caminho no Karatê-Dô.

Referências
- FROSI, Tiago Oviedo. MAZO, Janice Zarpellon. Repensando a história do Karatê no Brasil. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.2, p.297-312, abril./;jun. 2011.
- NAKAYAMA, Masatoshi. O melhor do Karatê. Ed. Cultrix: São Paulo, 2010. 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Tipos de alunos



Tipos de alunos do Karatê-nerd, são charges que ilustram alguns tipos de alunos e sabe-se que todo Dojo tem um Karatêca tipo Terminator... Quem é o Terminator do seu Dojo?

site para acesso: http://www.karatenerd.com.br/ 


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Exame de faixa: novos kyus, novas metas.



EXAME DE FAIXA 07/12/2014

No último dia 07 de dezembro de 2014 a Academia de Karatê Garras do Tigre, realizou o oitavo exame de faixa de sua curta mais vitoriosa história. O Sensei (Professor) responsável Luiz Antonio Bussola, faixa preta 3º Dan, agradece a participação de todos os pais e alunos pelo evento! Agradece também a disposição e participação dos alunos Elizete Vicentini Bussola, Michel David e Heder Romão, e especialmente aos faixas pretas Leonardo Soares do Carmo e Bruno Vicentini Bussola pela árdua tarefa enquanto avaliadores da banca examinadora. O Sensei ainda parabeniza a todos os alunos que participaram do exame e conquistaram suas novas Obi (faixa)!

Segue a lista dos Karatecas que, segundo Sensei Bussola, deram mais um passo (no Karatê e na vida) para de se tornarem faixa preta e pessoas melhores(Kuro obi).

Faixa Amarela - Kiiro Obi – 6º Kyu
Alexandre Candido da Silva
Daniel Santos Aguiar
Davi Rosa
Fellipe Souza
Flávio Filho
José Gabriel
Lívia Luciana
Luciano Okuda
Maria Eduarda
Wellington Ribeiro de Sousa
Wenner Vieira

Faixa Vermelha – Aka obi - 5º Kyu
Alex Almeida
Daniel Vitor Calaça
Emilly Campos Ferreira
Leonardo Rosa
Paulo Benício Martins
Rodrigo Camargo Araujo
Ryan Gonçalves Bernadino
Thiago Borges
Vinicius Borges

Faixa Laranja - Daidaiiro obi - 4º Kyu
Cipriano Dejuli
Erick dos Reis
Gabriel Lacerda
João Cesar
Juliana Almeida
Luiz Gustavo da Silva
Vanessa Mesquita

Faixa Verde – Midori obi - 3º Kyu
Elson Junior

Faixa Roxa – Murasaki obi - 2º Kyu
Douglas Vicentini Bussola
Elizete Vicentini Bussola
Vitória dos Santos Oliveira

Faixa Marron – Chairo obi - 1º Kyu
Iury Santana Goulart
João Renato Santos da Paixão
José Augusto Gonçalves

PARABÉNS A TODOS POR ESSA NOVA CONQUISTA!!!
OSS!!!



“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

Sun Tzu – A Arte da Guerra