Objetivo em nenhum momento é denegrir ou
rebaixar cada uma das modalidades, a verdade é que vou tentar mostrar a
diferença do Karatê Shotokan para com as outras lutas...
TIME (TEMPO)
A
diferença está aí...
Usando a ajuda da biomecânica podemos
notar a semelhança entre os golpes dessas três modalidades, chute frontal,
chute circular e socos (exceto o muay thai, que usa muitos movimentos do boxe
nas técnicas de braço).
Durante os anos de treino
incansavelmente de Kihon, Kata e Kumite o karateca deve aprende o que Mestre
Sagara chama de Karatê Tridimensional: espírito, mente e físico, a união desses
três fatores proporciona ao praticante a tranquilidade, o auto-controle, e
assim o aperfeiçoamento da técnica correta.
E
onde entra o time em toda essa
história?
Começa no treino mais básico de
kihon, segue para o tempo necessário para executar de um Kata o Heian Shodan, e
no terceiro passo a luta “combinada” Gohon, Ippon e Jiu Kumite. Para então
chegarmos no Shiai ou luta livre.
Quando o praticante passa por esses
três pilares do Karatê de forma correta, ele tem a capacidade de antever o
movimento do adversário, em alguns casos de se defender e contra-atacar, é o
que chamamos de GO NO SEN e TAI NO SEN.
Então o Karateca tem mais calma
durante a luta, essa calma deixa o tempo de combate excepcional o suficiente
para enxergar os movimentos executados pelo adversário, praticante excitado, ou
ate mesmo afoito, perdem a concentração e com isso o controle do combate...
Na
minha opinião, essa é a grande diferença do Karatê...
O Karatê-dô, como toda arte marcial, tem
uma história milenar, que desenvolveu e consolidou o conceito de “budo” que significa “Caminhos
Marciais”, que foi introduzido no Karatê pelo grande mestre Gichin Funakoshi. O
mestre dizia que o principal objetivo de treinar Karatê, naquela época, era
aprender a se defender pois não existia a competição. A essência dos
ensinamentos priorizava o espírito fundamental da arte da guerra: era “matar ou
morrer”. Durante séculos os guerreiros orientais foram treinados sobre esse
prisma, mas com o passar do tempo, com a globalização destas práticas de
combate, e principalmente, com a esportivização e a espetacularização das
lutas, as artes marciais vêm ganhando outras características.
Nesse percurso histórico foi inevitável
que outros valores e modos de comportamento fossem agregados às lutas, já que
os costumes ocidentais afastaram as lutas das origens guerreiras e técnicas
fatais e as aproximaram a outras conotações como a defesa pessoal, o lazer, o
exercício físico e o esporte.
Sendo assim, quando tratamos das lutas
hoje, nas suas mais diversas manifestações e modalidades, existem regras que
são estabelecidas conforme cada estilo e cada Federação. Até mesmo o Mixed Marcial Arts (MMA) é respaldado
por regras que buscam garantir a integridade física dos atletas, assim como no
Karatê esportivo (guardadas as devidas proporções). Muitos dos eventos de lutas
hoje visam apresentar ao público espetáculos magníficos nos quais os combates tem
um proposito mercadológico.
O vídeo em questão tem sido alvo de
acaloradas discussões nas redes sociais ultimamente... levando em conta o que
foi considerado anteriormente, expresso então a minha opinião. Foi explícita
agressão, que nesse caso acaba com um Shikkaku
(expulsão). O atleta de AO (azul), que estava em larga vantagem na contagem
de pontos contra seu adversário AKA (vermelho) desfere um Ushiro Ura Kakato (chute
rodado com o calcanhar), quando aparentemente a luta estava se encaminhando para
o encerramento do tempo.
Não façamos uma avaliação superficial
apenas do momento mais polêmico do combate! Levando em conta todo o contexto da
luta, avalio que o nocaute seria no mínimo desnecessário (para não dizer
desleal!).
O golpe foi executado com o objetivo de
machucar seu adversário ou o fato de deixar o oponente sem condições de
prosseguir na luta foi resultado de uma displicência?? Era uma questão de
demonstrar suas habilidades (ou até mesmo sua virilidade?)?? Ou foi realmente um
golpe sem má intenção?
Um dos grandes mestres do Karatê de
Contato, Oyama, ensina que “o karateca não se aperfeiçoa para lutar; luta para
se aperfeiçoar”.
Aí eu me pergunto: qual o objetivo desse
aperfeiçoamento?
Somente a força bruta?
Penso que o Grande Mestre do Karatê-Dô
Gichin Funakoshi, considerado pai do Karatê moderno, bem como tantos outros
Grandes Mestres das Artes Marciais, não dedicariam suas vidas a uma obra sem
propósito; então os “primeiros” princípios devem ser seguidos de forma honrosa
por seus praticantes.
PRIMEIRO ESFORÇAR-SE PARA A
FORMAÇÃO DO CARÁTER
PRIMEIRO FIDELIDADE AO VERDADEIRO
CAMINHO DA RAZÃO
PRIMEIRO CRIAR O INTUITO DE
ESFORÇO
PRIMEIRO RESPEITAR ACIMA DE TUDO
PRIMEIRO CONTER O ESPÍRITO DE
AGRESSÃO
E...
o que seria um Ippon?
Aprendi
com meus Sensei que é o ippon é o golpe perfeito, o resultado do
treinamento incansável dentro e fora do Dojo. O golpe perfeito requer além de zanchin (concentração), uma base
correta, respiração eficiente, uma mecânica apurada, kime, força adequada, auto-controle e... RESPEITO ACIMA DE TUDO.
OSS.
O grande mestre do
Karatê Shotokan já dizia que “Na busca do antigo, está a compreensão do novo.
Ser-se o velho ou novo, é tudo uma questão de tempo. Sobre todas as coisas, o
homem deve ter uma mente limpa. Este é o verdadeiro caminho! Quem o percorre
corretamente?”
Eu como Sensei e aluno,
venho me deparando com uma geração de karatecas “Simpato Yamazaki”, a geração
dos anos 80 e 90 assistiram o “grande herói” da televisão o Chapolin Colorado, em
um confronto com um karateca pra lá de fajuto. (https://www.youtube.com/watch?v=x2TYdqgMfYk)
Como vem sendo difícil
ensinar o “caminho” do Karatê-dô para essa nova geração! E é fácil nos deparamos com o dilema:
competição X filosofia.
O Karatê não diferente
da sociedade atual vem passando por transformações, “o velho e o novo” repassar
os princípios, a filosofia, que meu Sensei deixou não está sendo fácil! Como
cobrar de uma geração que não suporta a cobrança, que “desiste na primeira topada”.
Então fica a pergunta, qual é o objetivo de treinar Karatê?
Já se vão alguns
anos... quando eu era um “piázinho” em Goioêre/PR... (e olha que eu nem sou tão
velho assim... 20 anos no karatê! Há 10 anos faixa preta! É... pensando bem...
alguns passos mas perto do caminho...).
Menino criado com avó,
levei muuuuito puxão de orelha em casa! Mais ainda na academia, onde meu pai e
Sensei não deixava muito barato as broncas da mãe, filho mais velho vocês nem
imaginam...
No começo não era tão diferente
de hoje! Toda criança quer brincar, descontrair, se divertir... Mas, aos poucos
a fase das brincadeiras foi dando lugar aos treinos mais “sérios”.
Houve então uma mudança
no foco, na medida também do amadurecimento pessoal, meus colegas e eu passamos
a nos espelhar nos karatecas mais graduados, como os alunos mais velhos e o
Sensei.
Eram a nossa inspiração,
não somente pelos resultados nas competições e sim referências na vida. No
tatame, técnica e garra. Na vida, disciplina, dedicação, boa reputação. Honra
de “samurai moderno”, eu diria!
SER O EXEMPLO! Foi a prioridade para a
nossa geração.
Ver os faixas pretas
treinando, se doando ao máximo em cada sessão de treino significava para nós
que deveríamos fazer o mesmo: dar o melhor de si! 110%! O cansaço, a dor e o
sofrimento significavam superação e aprendizado.
Mestre Funakoshi
em um de seus relatos escreveu como era a prática na sua época, guardado as
devidas proporções, os nossos treinos tinham uma semelhança em todos os
aspectos, muita disciplina e doação. "Noite após noite, frequentemente no
pátio da casa dos Azato, sob a observação do mestre, eu praticava um kata
(exercício formal) repetidas vezes, semana após semana, às vezes mês após mês,
até tê-lo dominado completamente para satisfação do meu professor. (Fuakoshi,
p. 21. 2010)
“Shut up and train!”
Havia outros momentos, as valiosas oportunidade de ouvir os mais velhos e mais graduados conversarem, que nos ajudavam a entender o valor de cada soco,
chute e defesa, de cada kiai, de cada frase do Dojo Kun repetida incontáveis
vezes, e de cada castigo físico e moral imputados.
Nas nossas competições,
além da ludicidade, havia uma arbitragem educativa que não estava ali para manipular
os resultados, privilegiando o ranking da sua própria academia... e sim para
ensinar e fazer prevalecer as regras e os valores primordiais que asseguram que
uma competição esportiva possa proporcionar em sua dimensão formativa. A competitividade
era estimulada no sentido de superação das limitações individuais. O nosso
Sensei afirmava que ganhar ou perder, dependia de quanto suor era derramado no
tatame, e que na maioria das vezes a derrota ensina muito mais que a vitória,
pois mostra onde podemos melhorar e que precisamos treinar mais.
Fomos forjados nos
moldes mais rígidos, tendo clareza de que melhor seria se desistíssemos na
faixa marrom, pois entendemos o peso e o significado que teria a faixa preta.
Nunca desistir. Esse seria o compromisso de cada karateca: reconhecer que a
transição para o 1° Dan seria o ponto de partida e não de chegada.
Como um velho amigo e Sempai (aluno mais velho) me perguntara uma vez. Você sabe qual é o caminho?
Qual é o caminho?
Hoje os tempos são
outros, a família é outra, a escola é outra, é outra geração. Se nossas
exigências hoje fossem as mesmas daquela época? Não, não podem ser.
Sei que é também uma
questão geográfica...
Mas, infelizmente, o
que prevalece hoje, é um karatê estereotipado (como daquele karateca “Simpato
Yamazaki”...), a ludicidade das competições deu lugar a esportivização, ganhar a qualquer custo.
O que quero dizer com
isso? É que muitos valores que foram e estão sendo ensinados ficam
negligenciados quando o Karatê é visto apenas com mais uma atividade física ou
prática esportiva que ocupa três horinhas na semana...
No tatame e fora dele,
a responsabilidade que tenho pra mim, sabendo que não posso cobrar meus alunos
da maneira como fui cobrado, me resta inspirá-los, demonstrando que cada
técnica bem executada, cada forma a mais perfeita o possível, cada kiai mais
autêntico e expressivo, cada lema respeitosamente seguido valem a pena, no Dojo
e na vida.
A última (e não menos
importante!) parte que compõe o tripé do Karatê-Dô Shotokan é o Kumitê, que
significa luta, combate contra um adversário. Deixando de lado as luta imaginárias
do Kata, no Kumitê aplicam-se ataques de braço e perna e defesas, contra um
oponente real. As lutas ainda podem ser combinadas, semi-combinadas ou livres.
O
significado literal de Kumitê, em japonês, é “encontro de mãos”. Kumi: “encontro” e Te: “mãos”. Todo praticante de Karatê deve (ou deveria!) aprender
ao longo de sua formação e treinar durante anos, os vários tipos de Kumitê, não
somente o Shiai (luta esportiva) como
também passar pelas várias etapas de Gohon
e Sanbon (para iniciantes faixas branca, cinza e azul - YOBUKAN), de Ippon (para praticantes intermediários faixas
amarela, vermelha e laranja), de Jyu
Ippon (para faixas verde, roxa e marrom) e Jyu Kumite (para faixas pretas).
A
cortesia é fator importante na cultura japonesa e, principalmente nas artes
marciais, a praticamos (ou deveríamos praticar!) em todos os momentos, não
somente no Kihon e no Kata, como dizia o grande mestre Funakoshi “o Karatê
inicia e termina com cortesia” e é assim que deve ser também no Kumitê: fazer a
saudação com respeito e agradecimento pela oportunidade de ter o companheiro
para treinar é algo admirável.
Mestre
Jonery repete um ensinamento dos velhos mestres a cada praticante afoito em
lutar: “treine Kihon (fundamento) e Kata (forma) que o Kumitê sai”. Sensei
Jonery é claro ao dizer que “não se desenvolve o Kumitê só praticando a luta em
si e que o praticante deve treinar o Kihon e o Kata mais do que o Kumitê, e com
isso estará sempre aprimorando a luta”.
Gohon-Kumitê
(5 ataques e 5 defesas com 1 contra-ataque) é muito utilizado nos treinamentos
de praticantes iniciantes, por conter movimentos simples. Quem ataca (tori)
tira uma medida jodan (nível alto), chudan (nível médio) ou gedan (nível baixo)
em pé e recua a perna direita ficando em gedan-barai de esquerda na base
zenkutsu-dachi e quem defende (uke) fica em pé inicialmente.
Sanbon-Kumitê
(3 ataques e 3 defesas com 1 contra-ataque). É idêntico ao gohon só que é feito
em 3 passadas e é usado pelos praticantes faixa azul (Yobukan/Garras do Tigre),
ou para os faixa branca.
Ippon-Kumitê
(1 ataque e 1 defesa com contra-ataque). Posturas iniciais idênticas aos
anteriores. O defensor se desloca para trás e para o lado, saindo da linha do
atacante que não pode seguir o alvo. Procurar aplicar o contra-ataque sempre
chudan. Lembrar sempre do grito (kiai) no ataque e no contra-ataque.
Jyu-Ippon-Kumite:
(semi-combinado) avisa-se a região do corpo onde será desferido o golpe e/ou o
tipo de golpe que será aplicado. É um dos mais difíceis treinamentos de Karatê,
mais difícil até que o Jyu-Kumitê (livre). Apesar de ser semi-combinado é de uma
complexidade muito grande. Se o praticante se aprimorar nesse treinamento se
sairá bem em luta. Ambos os praticantes na base livre (jyu-kamae).
Jyu
Kumite (combate livre) Após a saudação os praticantes
iniciam o combate livremente, tentando encaixar os golpes. O combate poderá ser
orientado para técnicas de pernas (ashi-waza) ou técnicas de braços (te-waza);
um ser o atacante (tori-waza) e o outro usar o contra ataque sendo somente o
defensor (uke-waza); enfim, quanto menos forte mais corretas deverão ser as
técnicas e sempre controladas.
Shiai-Kumite
(luta de competição) É uma luta pela conquista de pontos, onde há as técnicas
permitidas de acordo com as normas de cada federação. A competição deve servir
para o praticante desenvolver o respeito e disciplinar-se física e mentalmente.
Cada federação
esportiva tem regras diferentes e o praticante que treinar os princípios do
verdadeiro Karatê nunca terá problemas para se adaptar as regras e técnicas
exigidas para pontuar na federação em que for participar.
Os protetores que são
utilizados nas competições ou treinos, não são para que o karateca bata mais e
sim para que ele anule os impactos e arrisque mais, sem medo de machucar a si
ou ao companheiro.
Me-Narashi
(sem força) É um combate livre, sem força, também chamado de “Kumitê sombra”
podendo ser acelerado ou em câmera lenta, de acordo com o objetivo do treino. É
nele que se aprende a executar as técnicas corretamente, sem o medo de se
machucar. Pode ser utilizado para o aprimoramento tanto do jyu-kumite quanto do
shiai-kumite.
A
grande questão é: treinar Shiai ou treinar Kumitê?
O problema que vemos nos
nossos dias, nas “badaladas” confederações, é a especialização dos atletas,
ditos karatecas (ahhhh sim!... na minha
humilde opinião... KARATECAS SIMPATO YAMAZAKI... isso sim!), que fazem a
opção apenas pelo “Kumitê” ou apenas pelo “Kata”, prática que vem influenciando
novos praticantes... e a consequência é que deixamos de treinar Karatê e os
professores pelo mundo deixam de ensinar o Karatê como um só (sentido de
totalidade da arte), dando ênfase ao Shiai que é somente mais um método de
treinar o Kumitê e não o Karatê na sua essência.
Então... esses são os
espinhos?? Ahhh... apenas alguns deles, dentre outros... que nos causam
sofrimento e dor de verdade quando presenciamos a desvalorização e a prática
reducionista e superficial de um karatê (re)inventado sem nenhuma
responsabilidade e sem a devida consideração e respeito ao legado deixado pelos
grandes mestres.
E assim vemos florescer
a nossa árvore... e... estamos cientes da qualidade dos frutos que pretendemos
colher?...
Genealogia Humana
O homem se equipara a uma árvore: suas flores
são felicidade, seus galhos, seu objetivo; suas folhas, segurança; seu tronco,
fortaleza; sua raiz, o conhecimento; a natureza, sua fonte de vida. Muitas
vezes, espinhos invadem seu espaço e tentam combate-la tirando suas folhas,
impedindo os galhos e ferindo o seu tronco... mas sua raiz continua intacta
porque ela é que extrai da natureza toda a energia necessária para manter o
arbusto, e é a partir da raiz que o tronco e membro se constroem.
Quem contem raiz forte, longa e firme lutará
e vencerá os espinhos não importando o quanto sua estrutura for afetada, mas os
que tem raiz fraca aos espinhos estará entregue, pois em seu corpo não há
sustento para enfrentar uma batalha.
(FAZANARO, 1992 apud
GUIMARÃES & GUIMARÃES, 2002, p. 185)
No tripé conhecido
pelos Karatecas, já abordamos o Kihon (técnicas básicas) e agora chegamos ao
tronco do Karatê Shotokan ou Kata que são formas predefinidas ou combinações lógicas
de técnicas de bloqueio, soco e chute.
Não vamos nos precipitar!
Ainda não estou falando de competição.
Mestres como Nakayama,
Sagara, Nakama são unanimes no treinamento quando o assunto é Kata. No livro “O
melhor do Karatê” Nakayama divide os Kata em dois grupos, no primeiro grupo os
apropriados ao desenvolvimento físico e ao fortalecimento muscular e no grupo dois
os Kata apropriados para o desenvolvimento de reflexos e movimentos rápidos.
Dentro da sequência do Karatê Shotokan
seguida pela JKA, ISKF, YOBUKAN e pela Garras do Tigre, os alunos faixa branca
a laranja treinam os Kata Heian (5 Kata) por mais que pareçam simples, eles
requerem tranquilidade para serem executados. Os Kata da série Heian juntamente
com a série Tekki (3 Kata) se encaixam no primeiro grupo e são considerados os
Kata básicos da Shotokan e devem ser praticados até que essas técnicas sejam
assimiladas e passem a ser executadas de forma natural.
Os outros 18 Kata são
considerados os superiores que tem como objetivo os movimentos relâmpagos. Esses
Kata sugerem o vôo rápido da andorinha que representa a agilidade (Empi), o
grou sobre a rocha ou equilíbrio (Gankaku), a força (Jion e Gojushiho) ou
desenvolvimento de uma base firme (Sochin). Cada Kata superior possui um
objetivo, e dá ênfase a um determinado tipo de treinamento e fazem parte do
grupo dois.
Para treinar Kata os
praticantes devem buscar o domínio de três fatores que não precisam ser
aperfeiçoados nessa ordem. O Espírito, que o mestre Sagara afirma, através do
treinamento busca a elevação do estado espiritual. O domínio da mente que
através do treinamento físico busca-se captar a energia da mente que é
utilizada para “produzir” e “construir” e buscar na sua parte mental a
tranquilidade e o auto-controle. E o domínio do físico busca o equilíbrio do
quadril, pernas e braços e o aperfeiçoamento do Kimê. Os karatecas devem buscar
o equilíbrio desses três fatores.
Segundo Nakayama os pontos
específicos no desempenho dos Kata são:
Ordem correta:o número e a sequência dos movimentos são
predeterminados.
Começo
e término: o
Kata tem que ser iniciado e concluído no mesmo ponto do embusen (caminho do
Kata).
Significado de cada movimento: cada movimento, de defesa ou
ataque, tem que ser claramente entendido e plenamente expressado.
Consciência do alvo: o karateca tem que saber o
que é o alvo e quando executar uma técnica.
Ritmo e regulagem do tempo: o ritmo tem que ser
apropriado a cada Kata em particular e o corpo tem que estar flexível. Nunca
demasiado tenso.
Respiração adequada: a respiração deve ser
alterada de acordo com as situações, mas basicamente inspirar ao bloquear e
expirar ao executar uma técnica de arremate.
Kata
básico
Kata
Superior*
Heian Shodan
Bassai dai
Heian Nidan
Jion
Heian Sansan
Kanku dai
Heian Yodan
Empi
Heian Godan
Hangetsu
Tekki Shodan
Bassai sho
Tekki Nidan
Kanku sho
Tekki Sandan
Chinte
Jitte
Gankaku
Sochin
Nijunshiho
Meikyo
Gojushiho sho
Gojushiho dai
Unsu
Jiin
Wankan
*Os Kata superiores não
ensinados/aprendidos necessariamente nesta ordem
Como o próprio
Funakoshi previu, ainda em vida:
“Os
tempos mudam, o mundo muda e obviamente as artes marciais também devem mudar. O
Karatê que os alunos de segundo grau praticam hoje não é o mesmo que era
praticado há dez anos, e é bem grande a distância que o separa do Karatê que
aprendi quando era criança em Okinawa. Considerando que não há atualmente, e
nem nunca houve, nenhuma regra rígida com relação aos vários katas, não é de
surpreender que estes tenham mudado não somente com os tempos mas ainda de
instrutor para instrutor” (FUNAKOSHI, 1975, p.47-48)
Assim, o Karatê tem
sido (re)inventado...
Hoje vemos várias
linhagens no Karatê, inclusive dentro da Shotokan, e não existe um consenso
quanto ao que é certo ou errado nos Kata. Essas diferenças nas escolas geram
muitas controvérsias entre os praticantes, até mesmo muitos dos mais velhos e
mais graduados não têm clareza de qual linhagem seguir.
JKA
(Japan Karate Association);
ISKF
(International Shotokan Karate Federation);
SKIF
(Shotokan Karate International Federation);
JKF
(Japan Karate Federation).
O agravante é que inúmeras
confederações e outras instituições esportivas, no Brasil e no mundo, tem como
objetivo as competições, dando ênfase ao treinamento e ao aprimoramento técnico
voltado à plasticidade dos movimentos (estética), em detrimento a essência e
eficiência verdadeira dos Kata.
O Karatê Esportivo é
uma tendência irreversível, e de reconhecida importância. Mas é necessário admitir
que essa esportivização tem gerado consequências negativas em alguns casos,
como a negligência de valores essenciais para a formação de seus “atletas”.
Como afirmou nosso
grande mestre, “O Karatê-Dô é um só [...]
um problema sério que assedia o Karatê-Dô atual é a predominância de escolas
divergentes. Acredito que isso terá um efeito deletério sobre o desenvolvimento
futuro da arte.” (FUNAKOSHI, 1975, p.48)
Recuperando a analogia da
nossa árvore... deixo aqui uma reflexão aos especializados em Kumitê: COMO
COLHER FRUTOS DE UMA ÁRVORE QUE NÃO TEM GALHOS, TRONCO E RAÍZES FORTES?
O Karatê Shotokan é formado por um tripé conhecido pelos karatecas como Kihon (técnicas básicas), Kata (formas) e o Kumite (Luta), os grandes mestres do Karatê defendem que os três são em essência uma única coisa. Para mestre como Jonery Henrique dos Santos e pela própria JKA (Associação Japonesa de Karatê), sem o Kihon (técnicas básicas) não pode haver nem Kata nem Kumite. Igualmente o Kata que não deve ser separado do Kumite, pois perde-se o conhecimento que vem da aplicação (sentido de unidade ou totalidade), da mesma forma que não pode haver Kumite separado do Kata a fim de não perder a agilidade característica do Karatê.
Considerando este tripé, hoje vamos falar do Kihon, que são as raízes do Karatê, em uma analogia a uma árvore. O Kihon são as raízes, a força, o que sustenta toda uma estrutura. Se os karatecas tiverem uma raiz fraca a árvore tende a cair. Nas outras partes da árvore podemos entender os troncos sendo os Katas e as folhas e frutos o Kumite, que abordaremos em outras postagens.
As palavras do Sensei Jonery Henrique dos Santos, quando falamos de Kihon são claras: para o mestre são processos pedagógicos onde o praticante aprende o básico que apóia toda a estrutura técnica e física.
As graduações do Karatê Shotokan são 07 Kyus, dentro da escola Yobukan são 09 Kyus. Para cada Kyu há uma cobrança, e está aí a grande importância do Kihon. Um faixa branca para amarela ou branca para cinza deve saber alguns golpes de Tzuki (soco), Uke (defesa), Geri (chute) e Dachi (posições), eles precisam de uma postura adequada, equilíbrio e ângulo de cada movimento e o principal e como em tudo na vida é necessário a dedicação e a repetição contínua para aprimorar o Kihon Karatê.
Segundo o Sensei Jonery “O Kihon é o alicerce para todos os demais treinamentos que advirão com o crescente aumento do nível técnico do praticante. Sendo exercícios básicos, onde se firmarão todos os outros, é preciso uma repetição diária e constante para se adquirir força, velocidade, coordenação, resistência etc., que são necessárias para o aprimoramento do Kata e do Kumite”.
Sempre que o professor colocar a palavra Kihon na frente de outra palavra, quer dizer que deve ser feito o fundamento perfeito como num exame de faixa, colocando sempre em primeiro lugar a técnica bem executada, em segundo lugar a força e por último a velocidade. Nunca fazer veloz sem a força e nunca fazer forte sem a técnica correta.
Mestre Masahiko Tanaka, em uma foto clássica de seu Mae Geri.
O
que é realmente o Kiai?!
Vários autores vêm
escrevendo sobre a técnica... Nakayama (2010), por exemplo, cita que a
respiração é de grande importância para execução das técnicas, “basicamente
deve-se inspirar ao fazer um bloqueio e expirar ao executar uma técnica de
arremate”. Nakayama afirma que o Kiai ocorre no momento máximo de tensão: “A
expiração muito intensa e a contração do abdômen podem dotar os músculos de uma
força extra.”
Mas, na busca por um
melhor entendimento a respeito da importância dessa técnica Frosi e Mazo (2011)
vão à procura de compreender a espiritualidade do Kiai. Para os autores a
sociedade brasileira, que foi colonizada e dominada pelos portugueses durante
400 anos e que teve como formação social o pensamento materialista e dualista,
característico do mundo capitalista (assim como os demais povos ocidentais), tem
grandes dificuldades de compreender o conceito de “energia vital”, pensar na
alma (mente) separada do corpo, muitos chegam a ridicularizar este princípio
que envolve as artes marciais e a cultura Oriental.
Os autores vão além ao afirmarem
que o real problema está na técnica, ou seja, na compreensão da mecânica de
alguns exercícios, em especial o Kiaijutsu, essa técnica que foi desenvolvida
pelos Samurais.
Em
primeiro lugar, os guerreiros eram
treinados em Kiai (presença espiritual) para aguçar a sensibilidade e a própria
força de presença, podendo utilizar a intuição em combate.
Em segundo lugar,
transformavam a manifestação do campo vital (ou campo Akáshico) em arma,
somando o efeito desse campo ao golpe físico, podia ser um soco ou chute, por
exemplo, através de um brandido que conduzia a energia vital: o Kiai
(grito de espírito). Infelizmente, o que vemos hoje é um costume de gritar
de forma aleatória e sem consciência nas sessões de treinamento e nas
competições. (FROSI, T.O. £ MAZO, J.Z. 2011).
O grito de espírito, ou
Kiai, dá forma ao “Espírito do Guerreiro”. Os ensinamentos deixados, pela
tradição oral e escrita, pelos grandes mestres do Karatê como Funakoshi,
Nakayama, Okasaki, Sagara, Tanaka, Osaka dentre tantos outros, devem ser
passados aos nossos karatekas dos mais novos aos mais velhos. O caminho das
mãos vazias está dentro de cada Dojô, de cada academia, local que cada Sensei
(professor) deve ter a sensibilidade necessária, o compromisso e a
responsabilidade de honrar o legado dos grandes Mestres, contribuindo para que cada
aluno encontre seu caminho no Karatê-Dô.
Referências
- FROSI, Tiago Oviedo. MAZO, Janice
Zarpellon. Repensando a história do
Karatê no Brasil. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.2,
p.297-312, abril./;jun. 2011.
- NAKAYAMA, Masatoshi. O melhor do Karatê. Ed. Cultrix: São
Paulo, 2010.
Tipos de alunos do Karatê-nerd, são charges que ilustram alguns tipos de alunos e sabe-se que todo Dojo tem um Karatêca tipo Terminator... Quem é o Terminator do seu Dojo? site para acesso: http://www.karatenerd.com.br/
No último dia 07 de dezembro de 2014 a Academia de Karatê
Garras do Tigre, realizou o oitavo exame de faixa de sua curta mais vitoriosa história.
O Sensei (Professor) responsável Luiz Antonio Bussola, faixa preta 3º Dan,
agradece a participação de todos os pais e alunos pelo evento! Agradece também a
disposição e participação dos alunos Elizete Vicentini Bussola, Michel David e Heder Romão, e
especialmente aos faixas pretas Leonardo Soares do Carmo e Bruno Vicentini
Bussola pela árdua tarefa enquanto avaliadores da banca examinadora. O Sensei
ainda parabeniza a todos os alunos que participaram do exame e conquistaram
suas novas Obi (faixa)!
Segue a lista dos Karatecas que,
segundo Sensei Bussola, deram mais um passo (no Karatê e na vida)
para de se tornarem faixa preta e pessoas melhores(Kuro obi).
Faixa Amarela - Kiiro Obi – 6º Kyu
Alexandre Candido da Silva
Daniel Santos Aguiar
Davi Rosa
Fellipe Souza
Flávio Filho
José Gabriel
Lívia Luciana
Luciano Okuda
Maria Eduarda
Wellington Ribeiro de Sousa
Wenner Vieira
Faixa Vermelha – Aka obi - 5º Kyu
Alex Almeida
Daniel Vitor Calaça
Emilly Campos Ferreira
Leonardo Rosa
Paulo Benício Martins
Rodrigo Camargo Araujo
Ryan Gonçalves Bernadino
Thiago Borges
Vinicius Borges
Faixa Laranja - Daidaiiro obi - 4º Kyu
Cipriano Dejuli
Erick dos Reis Gabriel Lacerda
João Cesar
Juliana Almeida
Luiz Gustavo da Silva
Vanessa Mesquita
Faixa Verde – Midori obi - 3º Kyu
Elson Junior
Faixa Roxa – Murasaki obi - 2º Kyu
Douglas Vicentini Bussola Elizete Vicentini Bussola
Vitória dos Santos Oliveira
Faixa Marron – Chairo obi - 1º Kyu
Iury Santana Goulart João Renato Santos da Paixão
José Augusto Gonçalves
PARABÉNS A
TODOS POR ESSA NOVA CONQUISTA!!!
OSS!!!
“Se
você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de
cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória
ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si
mesmo, perderá todas as batalhas.”